<aside> 📌 Tutorial para processamento de dados de CTD da Sea-Bird com o software SBE Data Processing, a ser utilizado pelo Laboratório de Oceanografia Física e Meteorologia (Labofis) da Faculdade de Oceanografia (FAOC) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

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<aside> 👥 Autor: Andressa Palma

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Documento desenvolvido para uso dos integrantes do Labofis com o objetivo de descrever o protocolo de processamento de dados brutos de CTD, aquisitados com equipamentos da Sea-Bird, usando o software SBE Data Processing (disponibilizado pelo próprio fabricante). Os procedimentos aqui apresentados baseiam-se na metodologia proposta pelo programa internacional Global Ocean Ship-Based Hydrographic Investigations Program (GO-SHIP) (McTaggart et al. 2010), que dispõe de materiais com diretrizes e orientações que vão desde o planejamento de um cruzeiro, com a devida preparação dos equipamentos, à coleta de dados e o pós-processamento. A metodologia GO-SHIP foi descrita para o CTD modelo 9plus da Sea-Bird e é usualmente utilizada para tratar dados coletados em oceano profundo, mas pode ser aplicada em outros modelos do mesmo fabricante e, também, em coletas realizadas em águas rasas.

Software SBE Data Processing

Conforme mencionado, o processamento de dados brutos de CTD é executado utilizando o software SBE Data Processing, disponibilizado gratuitamente pela Sea-Bird ‒ na aquisição do equipamento ou online, em seu website (www.seabird.com). A Figuras 1a ilustra a interface do software, que é bastante simples e intuitiva, com as duas abas principais: a primeira "Run" (Figura 1b) contendo as etapas de processamento e, a segunda "Configure" (Figura 1c) que permite a criação ou modificação de arquivos de configuração.

Figura 1a: Interface do software SBE Data Processing.

Figura 1a: Interface do software SBE Data Processing.

Figura 1b: Opções da aba Run.

Figura 1b: Opções da aba Run.

Figura 1c: Opções da aba Configure.

Figura 1c: Opções da aba Configure.

O arquivo de configuração do equipamento (.con ou .xmlcon) contém informações acerca dos sensores, como número e tipo, canal atribuído e coeficiente de calibração. Essas informações são utilizadas pelo software de processamento para interpretar os dados brutos do equipamento. Portanto, para realização do processamento é imprescindível possuir o arquivo de configuração.

Assim, após a aquisição dos dados brutos e em posse do arquivo de configuração do equipamento, é possível iniciar o processamento dos dados. Seguindo a metodologia GO-SHIP, as etapas de processamento seguem a seguinte ordem: Data Conversion, Align CTD, Bottle Summary, Wild Edit, Filter, Cell Thermal Mass, Loop Edit, Derive, Bin Average, e Translate. Adianta-se que, dependendo da opção selecionada durante a etapa de Data Conversion, a etapa Translate pode ser dispensada. Além disso, pode-se adicionar a etapa Split, conforme necessidade do usuário. Essas informações são melhores descritas a seguir.

A descrição dos módulos de processamento baseia-se no manual do software SBE Data Processing (Sea-Bird Scientific, 2017), também disponibilizado pelo fabricante ‒ na aquisição do equipamento ou online, em seu website.

1. Data Conversion

Converte os dados brutos (.hex, .dat ou .xml) em unidades de engenharia (binário ou ASCII), armazenando-os em um arquivo no formato .cnv e, de maneira opcional, permite a criação de um arquivo .ros com informações associadas aos disparos das garrafas de água.

O formato dos arquivos de input (brutos) dependem do modelo do equipamento e/ou do software de aquisição usado e, o formato de output (binário ou ASCII) é de escolha do usuário: binário - arquivo menor e, consequentemente, processado mais rapidamente que o arquivo ASCII pelos outros módulos de processamento; ASCII - arquivo maior, mas que pode ser visualizado com um editor de texto. A etapa Translate pode traduzir o arquivo .cnv de binário para ASCII e vice-versa e, portanto, caso o usuário escolha o formato de output ASCII durante a etapa de Data Conversion, não será necessária a execução do módulo de processamento Translate.

As Figuras 1.1 a 1.4 ilustram as abas da etapa de processamento Data Conversion com as respectivas explicações de cada campo a ser preenchido. É importante pontuar que, em cada etapa do processamento é criado um arquivo de configuração, no formato .psa, **contendo os parâmetros selecionados pelo usuário, permitindo sua posterior utilização em processamentos análogos.

Figura 1.1: Aba File Setup do módulo Data Conversion.

Figura 1.1: Aba File Setup do módulo Data Conversion.